Os refugiados que decidiram dar algo bom para Berlim

Samir e Nafe são dois adolescentes lindos, engraçados, cheios de humor. “Não somos pop star, somos rock stars”, brincam, comentando a fama instantânea. Depois da mensagem no Facebook, passaram a ter um cotidiano lotado. Saem de casa sete da manhã para ajudar pessoas. “Já carregamos livros, demos muitas aulas de matemática e física, carregamos coisas de mudança, pintamos paredes e, claro, demos muitas entrevistas. Muitas pessoas que nos escrevem querem o mesmo que você”, diz Samir, o mais falante da dupla. Voltam para casa lá pelas duas da manhã. No dia em que nos encontramos, eles iriam em seguida encontrar um grupo que estava fazendo um filme. “Na verdade, não sabemos o que vamos fazer lá. Se vamos atuar, ajudar na produção. Vamos lá para ver”. E depois, mais trabalho? Eles riem. “Não, pô, hoje é sexta feira. A gente vai para um bar ou para um clube, claro”.

Os dois se conheceram na escola, no segundo grau, em Damasco, capital da Síria. Fizeram a mesma universidade. São melhores amigos. Em outubro de 2015, decidiram ir embora. “Nossa faculdade tinha sido bombardeada. Não tinha luz. Não tinha água. Não nos sentíamos seguros nem livres. Teríamos que ir para o exército e, no exercito, em uma Guerra, seria para matar. E não saberíamos nem quem estaríamos matando. Ninguém sabe de verdade o que está acontecendo na Síria. Nem quem está lá. A imprensa é completamente manipulada. Somos jovens, cheios de energia, achamos que merecíamos um futuro”, contam. Tiveram apoio dos pais. O de Samir é engenheiro, o de Nafe, diretor de cinema.

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A jornada
Os dois tiveram muita sorte na jornada (a história dos meninos é cheia dessas ajudas do destino), que só durou seis dias (a de alguns leva meses) e foi feita junto com um grupo de conhecidos. Passaram pela Turquia, Hungria, Grécia e Austria, até chegar na Alemanha. O trajeto foi feito de ónibus, a pé, de trem e de bote de plástico.

“A gente nunca tinha saído da Síria. Pegamos um ônibus em Damasco com outros amigos. Tínhamos um amigo que já morava na Turquia. Isso foi ótimo, tivemos um lugar para ficar. O trajeto de barco, daqueles mesmo, lotados, que a gente vê em fotos super lotados de gente foi a parte mais ‘emocionante'”, lembram. “Foi muito assustador. A viagem dura umas seis horas. Fomos sentados na parte de trás do barco, que é a menos perigosa, porque a onda bate na frente. Eu estava apavorado, não é legal, é horrível”, diz Samir. “Não, eu não estava com medo, estava mais ‘uou, que aventura’”, conta Nefe, com um sorriso de criança no rosto. No fim, o barco naufragou perto da praia e foi salvo por outro, da marinha grega. De novo, tiveram sorte: “fomos muito bem tratados, não dá para reclamar”.

[publicado originalmente em revistatpm.com.br]

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