Em Berlim grafite é arte, turismo e política

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Todos os dias, dezenas de turistas saem andando em Berlim, guiados por profissionais, para ver de perto aquilo que o atual prefeito de São Paulo chama de “vandalismo.” São os tours de street art, oferecidos por várias pessoas, inclusive por esse site. 🙂

Isso porque, depois da queda do Muro, Berlim se tornou uma das cidades mais importantes de street art do mundo e coleciona obras de artistas como “Os Gêmeos”, Blu, Banksy. Fora o mural gigante da East Side Gallery, o grafite mais famoso de Berlim (lindo pelo símbolo mas longe de ser o mais legal artisticamente falando). Se você acha que grafite não é arte, pode parar de ler esse texto agora.

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Mas além dos murais de “grife”, o que eu acho mais legal em Berlim são as “paredes vivas”. Tem de um tudo misturado: pixo, grafite, adesivos, e as pessoas vão colando uma coisa em cima da outra. Do lado da minha casa tem uma parede linda que muda quase toda semana. As pessoas passam e colam coisas, desenham.

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Isso fora as portas mais lindas do mundo, aquelas totalmente cobertas e sujas.

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Berlim sem grafite? Ninguém consegue nem imaginar!

Se é vandalismo? Pela lei é sim. Fora os grandes painéis, a lei não permite que você saia e pinte uma parede de madrugada. Mas o que acontece? Nada. Inclusive porque todo mundo sabe que se pintar a parede ela vai ser pixada, ou grafitada, ou adesivada de novo.

Alguns prédios novos, inclusive, decidem fazer uma parede grafitada no prédio já no projeto, porque sabem que, bem, branca ela não vai ficar mesmo…

Enquanto isso, o governo parece ter sido esperto o bastante para entender que a arte de rua atrai turistas e é já uma marca de Berlim. Apagá-los? Nunca!

Polêmicas

Em 2009 um grupo tentou derrubar parte da East Side Gallery para fazer um condomínio. Teve muito protesto e a galeria continuou. Ufa!

Em 2013, um fato inédito e lindo: artistas resolveram apagar a sua própria obra de arte como protesto.

Blue e Luiz Henke foram os responsáveis por um dos muraus mais famosos de Berlim: a imagem de dois irmãos tirando suas máscaras, significando a reunificação alemã.

O mural virou cartão postal e símbolo da cidade. Ao saber que um grande condomínio seria contruído ao lado da sua obra, os próprios artistas pintaram tudo de preto em protesto contra a gentrificação da cidade e disseram que se recusavam a participar da “zombificação de Berlim”. Passo por lá todo dia. Lembro da coragem desses artistas e me emociono.

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Existem maneiras e maneiras de fazer as coisas, até na hora de apagar murais…

 

2 comentários Adicione o seu

  1. Lelia disse:

    Poxa…Conheço muita gente q já foi pra Berlim…e sabe? Igualzinho à SP…Vc anda qualquer horário na rua e não tem medo de ser assaltado,ninguém joga li

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  2. Lelia disse:

    Joga lixo na rua, ninguém ouve rádio com funk no último volume, ninguém bate em professor na escola, nem joga cartas no meio da aula. As pessoas não tem q olhar em volta antes de sair de casa e as pichações são em alguns pontos isolados..por isso são arte…Agora aqui com esse pessoal que é doutrinado em esquerdismo da ignorância nas salas de aula, agem feito animaisna rua, não respeitam ninguém, mata se uma pessoa por um porcaria de um celular…Não dá pra comparar né. Para de palhaçada!! O Circo já se foi…

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