Kreuzberg x Google: a nova batalha de Berlim

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Uma nova batalha promete esquentar em Berlim nos próximos meses. Em cena, o Google, o gigante, x Kreuzberg, o bairro alternativo-anarquista da cidade, um símbolo de resistência para toda a Alemanha.

O Google anunciou no fim do ano passado que abriria um Campus no bairro. O local, uma fábrica de mais de 2.400 metros quadrados, está sendo reformado pela empresa, que pretende abrir o campus ainda esse ano.

Não vai ser fácil. Semana passada, o Google recebeu o primeiro não da prefeitura de bairro (do Partido Verde), que não aprovou o projeto alegando que ele feria a lei do silêncio. Os engenheiros do Google trabalham em mudanças. Mas não é só isso. Mesmo.
Os moradores de Kreuzberg definitivamente não querem o Google na região e prometem guerra. O bairro tem forte tradição alternativa e anticapitalista e, para a maioria de quem mora por lá, ter um mega pólo do Google seria ofensivo. Exemplo. Imagine se a Friboi omabrisse um frigorífico no meio de uma comunidade vegana?

“O Google é o símbolo máximo do capitalismo moderno, imagina se eles se plantam justamente em um bairro que é famoso por ser anticapitalista? Isso viraria o símbolo máximo da gentrificação”, observa o israelense Michca Melamir, morador do Bretagne, um dos squats (prédio ocupado e projeto de esquerda) mais antigos do bairro.

A questão não é meramente ideológica. Berlim vive uma série crise imobiliária, com um processo de gentrificação galopante e um dos bairros mais atingidos é justamente Kreuzberg. É lá também onde acontecem a maioria das manifestações contra o processo e as pequenas lutas para que prédios e comércios antigos continuem no bairro. O medo é que um prédio enorme do Google faria os aluguéis aumentarem ainda mais e pequenos comerciantes teriam que sair do bairro.

“Ecossistema alternativo?”

A cena de startups cresce em Berlim desde a segunda metade dos anos 2000 e atrai empresas de todo mundo.  Mas a cena se concentrava no Mitte, bairro da cidade que já foi totalmente gentrificado. Agora, o tal “ecossistema” tenta acampar em Kreuzberg para sugar o ar alternativo do bairro. Outra obra polêmica: a gigante do e-commerce “Zalando” está construindo uma sede gigante na Curvy Strasse, uma área alternativa, onde eles definitivamente não são bem vindos.

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A briga não vai ser fácil. Já existem cafés marcados para debates “anti-Google” e promessa de guerra. “O Google está querendo abrir um campos aqui perto, o preço dos nossos aluguéis vai subir, se você acha que resistência é divertido, se junte a nós”, diz um cartaz espalhado pelo bairro.

A Guerra vai ser longa. E pode ser, mesmo, que o Google desista. A estratégia, tanto da prefeitura do Partido Verde, como dos moradores, parecer ser vencê-los pelo cansaço. A prefeitura, pedindo mais e mais mudanças no projeto, os ativistas, bem, promentendo incomodar, pixar e deixar claro que o Google não é bem vindo. Em Berlim, muitas vezes funciona…

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