FKK: ficando pelado em público na Alemanha

 

fkk2Ano passado, passei uma temporada no Ostsee (o Mar Báltico), um dos lugares de veraneio mais comuns da Alemanha. Eu devia ser a única pessoa de maiô na praia. 90% das outras estavam completamente peladas. Eram famílias inteiras, crianças, senhores e senhoras. Uma hora, para testar, decidi tirar o maiô. Fiquei alguns minutos pelada. Ninguém ligou, óbvio.

Outro dia passava de ônibus com um grupo de turistas do Brasil pelo Tiergarten (o maior e mais famoso parque de Berlim) e falei para que sentassem do lado esquerdo. Eu queria fazer uma surpresa. E como estava sol, ali estavam: dezenas de pessoas deitadas peladas em um parque bem perto de uma enorme avenida.

Ficar pelado no sol, na sauna, no parque, na praia e na casinha de sapê é algo completamente normal na Alemanha e que tem história.

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O FKK (Freikulturekourpe, ou cultura do corpo livre) foi criado no início do século 19 por intelectuais e artistas. Depois, foi incorporado até pelos Nazis, que, como se sabe, glorificavam o corpo perfeito, branco, alemão.

Há alguns anos, uma foto de uma suposta Angela Merkel pelada jovem na praia quase quebrou a internet. Não se sabe ainda com certeza se era mesmo Angela na foto. Mas óbio que a chanceler nadou pelada, e colocar isso em questão é até ridículo. Ainda mais porque ela é do Leste. E essa tradição era fortissimo (tanto que sobrevive) na Alemanha Oriental e comunista. Não, não era porque as pessoas não tinham direito de comprar um maiô (essa é uma lenda falsa). Era uma maneira de ser livre. Fim.

Mas não só no Leste, o que ouço por aqui é que nos 60, 70, na parte occidental o comum também era ir para a praia com a famíla pelado. Tradição. Ninguém liga. Fim.

Uma pesquisa recente mostra que 76% dos alemães continuam apoiando a prática.

Então, sim, o FKK ainda existe. E se você quer ficar pelado como os alemães ou pelo menos entender melhor do que se trata já aviso que:

1-Não, as pessoas não fazem para “se mostrar”.

2- Não, ninguém vai te olhar comendo com os olhos (se acontecer, deu azar) porque a idéia não é flertar. É cultural. É normal. Fim.

3- Claro, se você for em algum lugar nadar ou tomar sol e ver pessoas nuas, não tire foto. É errado. É criminoso.

Existem vários lugares onde você pode ficar pelado em Berlim e ninguém tchuns. Nos lagos com strandbads mais organizadas. Veja aqui, como o Wannsee e o Muggelsee existem áreas só para os adeptos da prática. Nos outros, os mais selvagens e naturais, depende do gosto de cada um.

Ver alguém no sol pelado nas partes mais vazias da borda do Spree é completamente normal. Assim como no Tiergarten, onde gritei para os clientes: “olha gente!”

A nossa tendência de gritar em polvorosa existe, claro. Eu mesma estou contando, não nego. Só recomendo a não fazer isso perto. 🙂

E, olha, é muito dificil explicar na Alemanha como que no Brasil, a terra do Carnaval, o topless é proibido. E sim, tolpless aqui também é normal.

E sobre ficar pelado? A primeira vez que fiquei nua em uma sauna mista alemã (o tipo mais comum) foi uma grande aventura. Com o tempo, sinceramente, eu não dou a minima. Já me vi na sauna cercada por sete homens na salinha e… nada! Fiquei de boa. Acostumei. E recomendo. Super.

Libera, gente! Eba! Tá todo mundo nu!

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9 comentários Adicione o seu

  1. Lilian disse:

    Comparação tosca e limitada. O que tem a ver nudismo em praia ou parque com uma mãe estimular a filha a tocar em um homem estranho nu? A nudez da exposição não é o problema em questão e nem configura pedofilia, claro! O absurdo é o constragimento causado à criança pela mãe, o que renderia uma pauta bem mais importante. Ensinar a uma criança, nos dias de hoje, que é ok tocar um estranho nu é o cúmulo do absurdo. Que continue a exposição e que os pais tenham mais discernimento.

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  2. Marcos disse:

    Além de serem culturas diferentes, não significa que devemos adotar isso, um outro ponto em relação aquela exposição, crianças estavam sendo incentivadas a tocar em um corpo de um homem nú, coisa muito diferente de uma praia de nudismo, ou em alguns parques públicos na Alemanha. E aliás não é por que existem tribos canibais que iremos adotar o canibalismo.

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  3. William Thorpe disse:

    Super concordo que não tem nada demais ficar pelado em lugar público, mas o texto é completamente contraditória do ponto de vista argumentativo. A ex jornalista atual guia turística defende que o que justifica os alemães ficarem pelados é a cultura e tradição do país…. Ora, se formos nos basear em cultura e tradição, então no caso do Brasil é totalmente errado ficar pelado em público, e muito menos ainda na frente de uma criança. Não é à toa que virou guia.

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  4. Helena disse:

    Desculpe a correção: Angela Merckel nasceu em Hamburg, o pai dela era pastor e se mudaram par o leste….

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  5. Vera Bungarten disse:

    Nina, FKK é Freikoerperkultur – traduzindo: cultura do corpo livre

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  6. César disse:

    Correção:
    FKK-Freikörperkultur

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